Do Princípio à Guerra Infinita: Construindo narrativas com o monomito de Campbell.

A arte de informar e se comunicar de forma oral ou escrita é uma das formas mais antigas de interação conhecida e vem evoluindo de geração em geração. Os diversos contos e fábulas que narramos através das eras compartilham semelhanças que nos fazem questionar se existe alguma lógica real na narração de tais histórias.

O monomito, ou como é popularmente conhecido, “A Jornada do Herói”, é um dos modelos de narrativa mais icônicos, sendo compartilhado entre culturas passadas e atuais. Seja uma passagem bíblica descrevendo a volta de Jesus ou uma história em quadrinhos que conte a história de um lutador justo, as etapas do monomito conversam entre si, em todas os níveis da narração de uma história.

Monomito, a jornada do Herói
Monomito, a jornada do Herói

Esse conto universal está intrinsicamente descrito no psicológico social, podendo considerar, sua aplicação até mesmo terapêutica. O ato de explorar a necessidade do povo por um herói, em meio a suas conquistas e batalhas, é uma forma de motivação, e pode nos ajudar a entender a real condição humana através da história.

Messias, guerreiro, matador de dragões, ou simplesmente o super-herói, o “herói” é construído por meio de um arquétipo conhecido em meio à literatura ou a mitologia. O significado do arquétipo vem do grego, e pode ser encontrado nas palavras archein, que significa “original” e typos que significa “padrão”. Carl Jung utilizava o conceito base do arquétipo em seus estudos da condição da psique humana. Ele acreditava que seres míticos e universais, como o herói, coexistem no consciente coletivo das sociedades que se desenvolveram ao longo da história. O autor dizia que o inconsciente, baseado em teorias de Freud, é um ambiente pessoal de união de pensamentos esquecidos e ocultos que habitam em uma zona mais profunda da mente.

O inconsciente coletivo

Jung acreditava que o inconsciente coletivo é idêntico em todos os seres pensantes desenvolvidos. Essa teoria é composta por diversas figuras arquetípicas, como o mentor, o aliado, a sedutora e a trapaceira.

Não precisamos nos limitar às figuras, sendo que nesse horizonte de eventos, temos ações e gestos que direcionam os rumos da narrativa, desde o nascimento até a morte da persona do herói. Encontramos diversos eventos arquetípicos nas passagens bíblicas, como a Criação, o Dilúvio e por fim, o Apocalipse. E retomando a ideia das personas como arquetípicos, temos por exemplo, Moisés, Jó e Jesus. Ou levando nossos pensamentos à cultura popular, podemos falar de grandes equipes de super-heróis, como os Vingadores.

O Herói

Na obra “Arquétipos e o Inconsciente Coletivo” de Carl Jung, o autor descreve a persona como um ato comum a toda a raça humana, onde cada um constrói suas próprias ações e narrativas na vida, de modo a aplicar seus costumes de acordo com sua cultura. Ou seja, os arquétipos são reflexos de detalhes singulares da nossa mente, e que, inconscientemente, dividimos essas personas de modo a dar a elas, um papel nos dramas da vida. Entretanto, os arquétipos que geram essas imagens, são estruturas simples que podem ser encontradas em meio ao nosso inconsciente, mas mesmo com toda sua simplicidade estrutural, torna-se impossível entender seu funcionamento. Aqui chegamos à nossa primeira conclusão: a persona do herói, está penetrada na mente humana, e pode se manifestar de diversas formas, seja refletindo sua cultura, o meio ambiente, ou o contexto político em que o autor da narrativa está vivendo.

O herói é construído em um conceito familiar, a partir de um nível quase que subconsciente. Podemos notar exemplos claros disso quando Moisés se mostra como um guia para o povo hebreu se livrar da escravidão egípcia; ou quando Daniel e seus companheiros se negam a comer alimentos que consideravam impuros. Do mesmo modo, as narrativas cinematográficas conseguem estabelecer isso de forma secular.

Em Os Vingadores (2012) de Joss Whedon, Loki dominou as pessoas em um evento e as forças a se prostrarem diante dele ao atentar contra a vida de um de seus opositores. O Capitão América age como a persona do herói, que auxilia na captura de Loki e retoma a ordem. Encontramos tais arquétipos na Bíblia através da persona de Jesus, que se eleva acima do status imposto, e é evidenciado como o herói da narrativa.

O monomito de Campbell.
Loki em Os Vingadores (2012)
Loki em Os Vingadores (2012)

O Enganador

Igualmente à persona do herói, o enganador pode ser visto em todas as narrativas em que a persona do herói está presente. Jung escreve que o enganador é astuto, tolo e é identificado como aquele que quebra as regras impostas na sociedade. Logo, podemos dizer que a persona dele é conhecida através da história como um ser malicioso ou cômico. Na Bíblia, temos Satanás, o Enganador, e também a imagem do mal e da sedução. A forma que Satanás se compromete a provar que Deus está errado, se assemelha às tentativas de Thanos de se colocar como uma falsa persona de herói, ao tentar tornar um massacre em massa em algo benéfico somente em sua mente, conforme a narrativa de “Vingadores: Guerra Infinita”, dos Irmãos Russo.

Desafiar a autoridade mais poderosa é uma das características mais marcantes do enganador. A primeira história de rebelião é descrita por Ellen G. White em seu livro “História da Redenção”, quando “uma guerra cruza os céus” e, como resultado de tudo isso, Lucífer, agora Satanás, é jogado na Terra. Podemos notar esse mesmo comportamento de insubordinação no Livro de Jó, onde a Bíblia descreve (Jó 1:3) que o ataque contra ele, envolvia o desejo de Satanás em destruí-lo sem razão alguma. Sendo que o enganador questiona a atitude de Deus ao conceder sua benção.

Da mesma forma, em Os Vingadores: A Era de Ultron, Ultron se rebela contra a autoridade de seu criador (Tony Stark). Ele ignora completamente as regras sociais, e em vez disso, Ultron é um anarquista. Ele literalmente engana seus criadores e a inteligência artificial que existia nele ele, para que ele se liberte na rede mundial de internet e absorva todo o conteúdo presente na rede. Ultron continua a demonstrar sua mentalidade de caos e confusão, causando destruição da África e em Sokóvia, quando resolve ceifar a vida na Terra, pois julgava que eliminar os seres humanos, seria um ato heroico e de benevolência.

Ultron em Vingadores: Era de Ultron (2015)
Ultron em Vingadores: Era de Ultron (2015)

A completa falta de empatia de enganadores como Loki, Ultron, Thanos e Satanás, os colocam como seres cínicos que sentem prazer no sofrimento humano. Carl Jung explica que o enganador é um ser que zomba excessivamente daquilo que é doloso a alguém. Temos claras evidências disso no caráter de Satanás. A proposta de Satanás ao testar a índole de Jó, desferindo dor e sofrimento contra ele, tentando contra sua vida e a vida de seus familiares, mostra que o arquétipo de Satanás não tem respeito por sua própria existência. O enganador é indiferente quanto aquilo que não afeta diretamente seu bem-estar. Por outro lado, Thanos definitivamente zomba da insignificância dos seres menores que ele. De acordo com a perspectiva de Thanos,  ao arquitetar seu plano de dizimar metade da vida no Universo, ele considerou que a existência de outros seres além dele não possuem significado.

Temos aspectos sarcásticos claros entre a persona dos vilões e de Satanás, sendo o sarcasmo, outra característica dos enganadores. Satanás tentou provar sua afirmação sobre a condição humana, da mesma forma que Ultron. No livro de Jó, Satanás supõe que a integridade de Jó só existe devido às inúmeras dádivas que Deus colocava sobre ele e sua família. Para tentar provar que sua teoria estava correta, ele fez Jó perder sua família, seus filhos e o acometeu com uma horrível doença de pele.

Em Os Vingadores, Loki domina a mente das pessoas com seu cajado, para tentar provar que a natureza humana é caótica e bagunçada. Vemos exemplos claros disso na Batalha de Wakanda, e Vingadores: Guerra Infinita, onde Thanos utiliza a joia do tempo para recuperar a joia destruída pela Feiticeira Escarlate. Isso elimina, qualquer chance de sucesso da equipe de heróis. Assim, o plano de destruição em massa de Thanos, e o plano de Satanás de atentar contra a vida de Jó, os colocam dentro do arquétipo junguiano do enganador.

O monomito de Campbell.
O monomito de Campbell.
Thanos em Vingadores: Guerra Infinita (2018)
Thanos em Vingadores: Guerra Infinita (2018)

O objetivo da persona do enganador é provocar e deturpar o pensamento. Tanto Satanás como Loki, Thanos e Ultron, existem para questionar a verdadeira condição humana. Essas personas nos ensinam detalhes incomparáveis sobre a dualidade do ser humano e torna isso, uma parte relevante do monomito, na “Jornada do Herói”.

O Herói de Mil Faces

Basicamente, a persona do herói tem que embarcar numa jornada para buscar superar os obstáculos apresentados em sua existência. No livro “O Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell, a teoria do monomito é apresentada pela primeira vez sendo descrita como um padrão narrativo que pode ser encontrado em todas as narrativas heroicas, o que pode deixar explícito como um dos arquétipos narrativos finais.

Podemos separar o monomito em dezessete passos, que se dividem em três grandes atos, onde temos A Partida, A Iniciação e O Retorno. Tanto Campbell e Jung, conversam em seus textos que existem semelhanças em relação a construção dos personagens, seu enredo, e suas temáticas, que são a representação dos vários aspectos que existem no inconsciente humano.

Ambos os autores, acreditavam que quase todos os escritores, roteiristas e etc, tecem suas histórias dentro dos parâmetros ou estruturas específicas das personas; motivo pelo qual, existem semelhanças entre quase todas histórias e mitos narrados, apesar de haver uma grande separação entre a época, a localização, a linguagem ou a cultura. Para trabalhar nessa ilustração, iremos aplicar o monomito às histórias bíblicas, e ao atual fenômeno cinematográfico da Marvel Studios.

Iniciando a Narrativa

A princípio, a persona do herói deve ter uma origem única. Na história de Moisés, o faraó diz para seu reino que devem jogar todos os bebês hebreus meninos no rio Nilo. Moisés consegue escapar dessa ordem quando a filha do Rei o adota e o torna parte da realeza. Crescendo frente ao perigo de sua geração. Tendo sua vida poupada, diferentemente de outros bebês hebreus que tiveram sua vida ceifada.

O monomito de Campbell.
"Mãe de Moisés" por Alexey Tyranov
“Mãe de Moisés” por Alexey Tyranov

Já no Novo Testamento, podemos ver que Jesus fora concebido por intermédio do Espírito Santo, sem Maria ter se envolvido em relações sexuais com um homem. Sendo colocado como o Filho de Deus e o Salvador, que viria a ser o Rei dos Judeus. Ao receber a notícia do nascimento do Messias, o mesmo ordenou o a morte de todos os bebês meninos nascidos em Belém, na tentativa de impedir a ascensão de um novo Rei. Um anjo veio e notificou a José, por intermédio de um sonho, de que seu bebê seria caçado e morto, o orientando a fugir com sua família para o Egito.

De forma semelhante, um dos componentes da equipe Vingadores, tem seu nascimento único. Tony Stark (Homem de Ferro), nasceu de uma família rica, filho de dois cientistas, mestres da ciência e da tecnologia. Sua família era dona das Indústrias Stark, uma das maiores fornecedoras globais de armas e de tecnologia que se desenvolveu com o lucro sobre a guerra. Mas assim como os hebreus, seus pais foram acometidos de um acidente automobilístico que seria revelado como um homicídio em em Capitão América: Guerra Civil. Obadiah Stane, sócio fiel de seu pai Howard Stark, torna-se seu pai adotivo. As circunstâncias do crescimento do Homem de Ferro, de Jesus e de Moisés demonstram como eles representam o único e principal elemento da origem da persona do herói.

O monomito de Campbell.
Tony Stark (Homem de Ferro) em Iron Man (2008)
Tony Stark (Homem de Ferro) em Iron Man (2008)

Ao longo da vida do personagem, diversos eventos traumatizantes o fazem partir. Conforme escreve Campbell, esses eventos se tornam principais impulsionadores da jornada dos nossos heróis.

A Partida

Em outra história, Capitão América: O Primeiro Vingador, Steve Rogers é convidado para testar o soro experimental do Super Soldado, após demonstrar seus atos de bravura e coragem, mesmo não tendo porte físico para tais. Ele se torna um símbolo da luta contra as forças nazistas, motivando jovens a se alistarem no exército americano. Steve Rogers, agora Capitão América, abandona o conforto de sua condição frágil, e vai para a guerra fazer uso de seus poderes. Isto representa o estágio de partida do Capitão América.

O monomito de Campbell.
Steve Rogers (Capitão América) em Capitão América: O Primeiro Vingador (2011)
Steve Rogers (Capitão América) em Capitão América: O Primeiro Vingador (2011)

Jesus Cristo também recebeu seu chamado divino para ir quando seu Pai entrou em contato diretamente com ele, o instruindo a seguir seu ministério, oficialmente após seu batismo com João Batista. Jesus uniu seus doze apóstolos, para que seu trabalho na Terra se realizasse mais rapidamente, fazendo de sua missão, levar a mensagem de seu ministério ao público; aqui podemos notar o estágio de partida de Jesus Cristo.

Já na história de Moisés, ao matar um egípcio que estava agredindo um escravo hebreu, ele foge com medo da consequência de seus atos. Moisés abandona seu lar e conhece sua futura família em Midiã. Após habitar um tempo ali, no Monte Horeb, Moisés se depara com uma sarça flamejante que não se consumia, e que emitia a voz de Deus. Assim, Moisés recebe o chamado de Deus, o intimando a resgatar o povo hebreu do Egito. Nesse momento, o propósito de Moisés é dado para que se inicie sua jornada. A partir disso, ele vai para o Egito a mando de Deus para libertação do povo de Israel.

A Iniciação

A próxima etapa no desenvolvimento da narrativa do herói é a sua iniciação. Jesus expulsa demônios, opera milagres, é bem quisto por seus seguidores, é porém malvisto por líderes religiosos. O limiar da iniciação de Jesus Cristo é quando Judas Iscariotes, um de seus discípulos mais próximos, o trai, sendo capturado, preso pelos seus semelhantes e crucificado sem cometer crime algum.

O monomito de Campbell.
"A Captura de Cristo" por Michelangelo Merisi da Caravaggio (1602)
“A Captura de Cristo” por Michelangelo Merisi da Caravaggio (1602)

Moisés passou por diversas lutas e dificuldades para conseguir a libertação do povo hebreu, e assim conseguir os guiar para Canaã. A luta contra o faraó, a travessia do Mar Vermelho, e o povo hebreu desacreditado em seu líder, funcionam como elo de ligação na iniciação de Moisés.

Em Thor, encontramos o estágio de iniciação do personagem em suas histórias heroicas de guerras e grandes batalhas por Asgard, onde ele forma alianças e conquista grandes amigos, assim como, surge seu principal antagonista. Durante seu período de iniciação, Thor, conquista o Mjonir, e recebe honras e glórias de seus pais.

O monomito de Campbell.
Thor (2011)
Thor (2011)

O Retorno

A última etapa que podemos encontrar na Jornada do Herói, é o retorno da persona. No arco de desenvolvimento da história de Jesus, após estar morto por três dias, ele ressuscitou e reiterou seus ensinamentos em meio aos seus discípulos por quarenta dias, quando enfim, ascende ao céu, passando seu legado para as próximas gerações.

No arco de retorno de Moisés, ele está guiando o povo hebreu para a Canaã, antes de falecer. O povo de Israel recebe a Terra Prometida após quarenta anos de peregrinação. Moisés entrega o manto da liderança para Josué. Aos 120 anos Moisés finaliza sua jornada no alto do monte Nebo, enquanto comtempla ao longe, a imagem da Terra Prometida.

Em Vingadores: Guerra Infinita, os heróis se reúnem para lutar contra seu inimigo em comum, Thanos, ocorrem baixas e uma sangrenta batalha se trava em Wakanda, resultando na vitória do vilão e destruindo metade da vida no Universo. Podemos notar nesse ponto, que nem sempre o retorno da persona se encerra heroicamente. Muitas vezes a forma cíclica do monomito não se repete, finalizando assim a narrativa de um personagem ou herói.

O monomito de Campbell.
Vingadores em Vingadores: Guerra Infinita (2018)
Vingadores em Vingadores: Guerra Infinita (2018)

Desse modo, podemos inserir em nosso imaginário a imagem de que a jornada do herói é encontrada em personas bíblicas, antigas e modernas.

A busca pelo Herói

A procura pelo herói é uma narrativa humana de transformação pessoal, sendo vista como um compilado de acontecimentos e provocações dadas pela vida. Ao compreendermos a persona do herói, precisamos nos questionar, e entender o porquê precisamos desenvolver e consumir as narrativas impostas pela estrutura do monomito. Milhões de pessoas, todos os anos, frequentam de forma fanática, feiras e convenções de quadrinhos. Popularmente apelidadas de fãs.

A influência psicológica

A jornada do herói ajuda pessoas a lidar com o andamento das etapas da vida. De forma mais específica, o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição) afirma que o transtorno de adaptação é “uma resposta psicológica a um elemento de estresse identificável que resulta no desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais clinicamente significativos”. Considerando que a teoria do monomito influência e auxilia pacientes portadores com transtornos de adaptação, Campbell acreditava que a teoria do monomito, poderia ser usada como uma forma de terapia, sendo que o tratamento se daria por meio do consumo de literatura, cinema e televisão. De forma que através do tratamento, o paciente portador da síndrome se identificaria com o monomito. Isso permite que o paciente apresente evolução ao conseguir relacionar suas próprias experiências de vida à jornada do herói.

Fora isso, o paciente passa a diferenciar as diversas situações da vida ao aprender como que a persona do herói supera suas batalhas, o que inspira o indivíduo a tentar ter as mesmas atitudes positivas para superar seus trauma. A premissa dada pelo monomito permite a construção de narrativas na própria vida do indivíduo, dando a liberdade das pessoas produzirem significados para suas vidas, assumindo o controle dela. Esse sentimento de liberdade dado pela narrativa, se opõe ao sentimento de que a vida está sendo definida apenas pelas influências externas.

A influência social

Jó, Moisés e Jesus, ou Capitão América, Thor e Homem de Ferro, são narrativas construídas que passaram pelos desafios fundamentais inerentes à vida e, por meio da construção de seu próprio monomito, trilharam as rotas para a conquista de cada antagonista da narrativa. Campbell em sua obra, diz que “não precisamos nem mesmo nos arriscar sozinhos na aventura, pois os heróis de todos os tempos já foram à nossa frente. O labirinto é bem conhecido, só temos que seguir os passos do herói. E onde pensávamos encontrar algo abominável, encontraremos um Deus. E onde pensávamos que teríamos de matar alguém, teremos de matar a nós mesmos. E quando pensávamos em viajar para fora, chegaremos bem no centro da nossa própria existência. E onde pensávamos estar sozinhos, estaremos em companhia do mundo inteiro.”

O monomito de Campbell.
Capa do livro O Herói de Mil Faces, de Joseph.
Capa do livro O Herói de Mil Faces, de Joseph

Jung e Campbell acreditavam que essas personas, ou arquétipos, eram manifestações dentro de nossos subconscientes coletivos, sendo que Campbell afirmou que o papel do monomito é ser a base de uma narrativa para nossas vidas. A jornada do herói pode ser utilizada como uma base para guiar as escolhas das pessoas, e gerar assim, uma identidade própria, e assim, estabelecer conexões com outras pessoas que sentem o mesmo. A eficiência do monomito explica por si só, o porquê de ele ser a base para as maiores narrativas do mundo. E da mesma forma, pode explicar a popularidade dos longas metragens e quadrinhos de super-heróis em períodos de guerra ou crises econômicas.

A relação do monomito, ou da persona do herói, com os indivíduos portadores do distúrbio de adaptação também pode explicar o fanatismo das pessoas por ícones e heróis. Na sua base, o monomito é um artifício quase terapêutico, responsável por reconectar ligações sociais e auxiliar as pessoas, a darem significado para suas vidas. Isso, concede uma explicação relevante do porquê a jornada do herói foi criada e porque ela é transmitida através dos séculos.

Referências

Campbell, Joseph. O herói de Mil Faces. Editora Pensamento, 1989.

White, Ellen G. História da Redenção. Casa Publicadora Brasileira, 2014.

DSM-5 – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Associação Americana de Psiquiatria, 2014.

Jung, Carl G. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Editora Vozes, 2011.

A BÍBLIA. Tradução de João Ferreira Almeida. Rio de Janeiro: King Cross Publicações, 2008.

Dahoui, Albert P. A Jornada do Herói, 2016.

OS Vingadores. Direção: JOSS Whedon. Marvel Studios, 2012.

OS VINGADORES: Era de Ultron. Direção: JOSS Whedon. Marvel Studios, 2015.

OS VINGADORES: Guerra Infinita. Direção: Anthony Russo, Joe Russo. Marvel Studios, 2018.

HOMEM de Ferro. Direção: Jon Favreau. Marvel Studios, 2008.

CAPITÃO AMÉRICA: O Primeiro Vingador. Direção: Joe Johnston. Marvel Studios, 2011.

CAPITÃO AMÉRICA: Guerra Civil. Direção: Joe Rosso, Anthony Russo. Marvel Studios, 2016.

THOR. Direção: Kenneth Branagh. Marvel Studios, 2011.

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