Resenha- O Sal da Terra

O documentário indicado ao Oscar de 2015 acompanha trechos da vida e obra do fotógrafo mineiro Sebastião Salgado. É dirigido pelos cineastas Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, filho de Sebastião.

Aos 15 anos Sebastião deixou a fazenda Salgado em Aimorés, Minas Gerais, para estudar em Vitória, Espírito Santo, e lá conheceu sua esposa Lélia. Sebastião ingressou na faculdade de economia, mas viu-se obrigado a deixar o país por participar de movimentos contra o regime militar que dominava o Brasil nos anos 60. 

Agora na França, Sebastião continuou seus estudos em economia enquanto sua esposa estudava arquitetura. Lélia adquiriu uma câmera fotográfica por conta da faculdade de arquitetura, mas quem desfrutava da câmera na realidade era Sebastião. Tiveram seu primeiro filho, Juliano, e algum tempo depois mudaram-se para Londres onde Sebastião atuava ainda como economista. 

Foi tirando fotos em suas viagens a trabalho como economista que Salgado decidiu que tornaria isso sua profissão. Fotografou moda e nus, até que encontrou sua verdadeira vocação, ser um fotógrafo social. Percorreu o mundo criando fotografias maravilhosas que renderam fotolivros como “Workers”, “Outras Américas”, “SAHEL”, “Exodus”, entre outros. 

Serra Pelada (1979) | Foto: Sebastião Salgado

Sebastião presenciou cenas terríveis como a fome na Ethiopia e o Genocídio de Ruanda. Essas situações deixaram sua alma doente. “Nossa história é a história das guerras. O ser humano é violento seja na Europa, África ou América Latina” desabafou durante o documentário.

Suas longas viagens resultaram em trabalhos fortes e marcantes, mas também levaram o filho mais velho de Sebastião e Lélia, Juliano, a crescer com um pai ausente e agora seu segundo filho, Rodrigo, também.

Um regresso ao Brasil trouxe de volta esperança à Sebastião quando ele e Lélia fizeram da fazenda Salgado, seca e sem vida, um oásis novamente através do replantio de Mata Atlântica. A ação inspiradora gerou o Instituto Terra, que já recuperou mais de 7.000 hectares de áreas degradadas.

Sebastião e sua esposa Lélia.

Alegre por estar em contato com a natureza novamente, Sebastião resolveu fazer o trabalho entitulado “GÊNESIS”, uma homenagem ao planeta Terra. O projeto é conhecido como seu opus magnum e, para realizá-lo Sebastião percorreu naturezas praticamente intocadas como Galápagos e Amazônia. O fotógrafo esteve em mais de 100 países e com seu olhar sensível e humanitário construiu história através da fotografia.

Par de filhotes de elefante-marinho-do-sul, na Geórgia do Sul (2009) | Foto: Sebastião Salgado

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